domingo, 14 de setembro de 2025

Apocalipse 8.6-13: As Trombetas do Juízo de Deus

 

IGREJA PRESBITRIANA DE RIACHÃO DO JACUÍPE – BA

Fidelidade na Doutrina, simplicidade no Culto e Santidade na Vida

Shabbath Cristão, 14 de setembro de 2025 – CULTO VESPERTINO

 

TEMA: As Trombetas do Juízo de Deus

Texto: Apocalipse 8.6-13

Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Introdução

Queridos irmãos em Cristo,

Ao abrirmos o livro do Apocalipse, encontramos uma sequência de visões que revelam não apenas o juízo de Deus contra o pecado, mas também a Sua fidelidade em preservar o Seu povo. O texto diante de nós, Apocalipse 8.6-13, descreve o soar das quatro primeiras trombetas.

Essas trombetas nos remetem imediatamente a dois grandes momentos da história da redenção: a queda de Jericó, quando o toque das trombetas trouxe a destruição das muralhas, e as pragas do Egito, quando Deus libertou o Seu povo julgando a nação opressora. João utiliza essas imagens para mostrar que os juízos que cairiam sobre Israel no primeiro século eram atos de Deus contra uma nação que havia se tornado apóstata, transformando-se em Egito e Babilônia, perseguindo os profetas e rejeitando o Messias.

É importante notar que os juízos descritos não são totais. João fala repetidamente de um terço da terra, um terço do mar, um terço dos rios, um terço das estrelas. Ou seja, ainda não se trata do juízo final, mas de juízos parciais, temporais, que servem como aviso e prelúdio do fim.

Hoje, vamos meditar em cada uma dessas quatro trombetas, para entender o que significaram para Israel em seu contexto e o que significam para a Igreja hoje.

1. A Primeira Trombeta: O fogo do juízo e o sangue dos mártires (vv. 6-7)

“O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve granizo e fogo misturados com sangue, que foram lançados sobre a terra; e a terça parte das árvores se queimou, e toda a erva verde se queimou.”

Aqui, irmãos, vemos que o juízo não é total, mas devastador. Assim como no Egito houve granizo e fogo, agora Israel recebe um juízo semelhante. O sangue das testemunhas assassinadas se mistura com o fogo do altar, trazendo a ira de Deus sobre os perseguidores.

Esse juízo nos lembra que a Igreja não está isenta de sofrimento. Se as árvores e a erva representam o povo de Deus, vemos que eles também sofrem fisicamente quando a ira de Deus é derramada sobre a terra. Contudo, há duas certezas inabaláveis:

1.     A Igreja nunca será destruída, porque Cristo prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16:18).

2.   O destino final dos crentes não é a ira, mas a vida eterna e a salvação (Rm 2:7-9; 1Ts 5:9).

Aplicação: O mundo pode zombar e perguntar: “Onde está o vosso Deus?” (Sl 42:10). Mas sabemos, como disse Santo Agostinho, que Deus nos prova e nos disciplina nesta vida temporal para nos preparar para a vida eterna. Os ímpios, porém, têm diante de si apenas ira e angústia.

Assim, o primeiro toque da trombeta nos lembra que o juízo de Deus começa pela casa de Deus, mas o fim será diferente: para os fiéis, glória; para os ímpios, condenação.

2. A Segunda Trombeta: O monte ardente lançado ao mar (vv. 8-9)

“O segundo anjo tocou a trombeta, e algo como um grande monte ardendo em fogo foi lançado no mar; e a terça parte do mar se transformou em sangue.”

O texto nos remete ao Êxodo, quando as águas do Nilo se tornaram em sangue. Mas aqui, o “monte ardente” é uma imagem clara de Israel, que havia sido chamado de “monte santo” do Senhor (Êx 15:17). Agora, como nação apóstata, transformara-se em “monte destruidor” (Jr 51:25).

Jesus mesmo havia profetizado isso quando amaldiçoou a figueira estéril e disse: “Se disserdes a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, assim será feito” (Mt 21:21). O monte de Israel, que deveria ser fonte de bênção, foi lançado ao mar em juízo.

Esse juízo também nos ensina que as orações da Igreja têm poder. A Igreja perseguida clamava: “Até quando, Senhor?” (Ap 6:10). E o Senhor ouviu. O monte apóstata foi lançado ao mar, como resposta às súplicas dos santos.

Aplicação: Quando oramos, não falamos ao vento, mas ao Deus que governa céus e terra. Devemos perseverar em oração, confiando que o Senhor julgará os inimigos da Igreja e vindicará a causa do Seu povo.

3. A Terceira Trombeta: As águas amargas do Absinto (vv. 10-11)

“Caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha; e caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes das águas. O nome da estrela é Absinto.”

Aqui temos uma imagem do juízo transformando a bênção em maldição. Assim como no Egito as águas ficaram imprestáveis, agora em Israel as fontes se tornam amargas. O nome da estrela — Absinto — era usado nos profetas para advertir Israel sobre sua apostasia (Dt 29:18; Jr 9:15).

João combina imagens do Egito, da Babilônia e até da queda de Lúcifer (Is 14:12-15) para mostrar: Israel tornou-se apóstata, transformou-se em Babilônia, e agora beberia do cálice da amargura.

Aplicação: Quando o povo de Deus se afasta da Palavra, o que deveria ser fonte de vida se torna veneno de morte. Quantos hoje bebem águas amargas porque trocaram a verdade de Deus por mentiras? O afastamento do Senhor sempre resulta em amargura espiritual.

4. A Quarta Trombeta: As trevas sobre a terra (vv. 12-13)

“O quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, a terça parte da lua e a terça parte das estrelas…”

Assim como a nona praga do Egito trouxe trevas, agora Israel experimenta escuridão. Na linguagem profética, sol, lua e estrelas simbolizam governantes e poderes. João mostra que príncipes, sacerdotes e líderes seriam abatidos. De fato, Herodes, os imperadores romanos e muitos líderes judaicos pereceram de forma trágica. Estrelas se apagaram.

Além disso, uma águia voando proclama: “Ai, ai, ai dos que habitam sobre a terra”. A águia é símbolo duplo: de um lado, a salvação que Deus provê; de outro, a ave de rapina que devora a carne dos mortos. Assim, ela anuncia que os juízos seguintes seriam ainda mais severos.

Aplicação: O juízo de Deus é pedagógico e progressivo. Ele escurece as luzes deste mundo para que os homens busquem a verdadeira luz, que é Cristo. E para nós, Igreja, fica a advertência: se Deus não poupou Israel, que se tornou apóstata, não nos poupará se formos infiéis.

Conclusão e Chamado Pastoral

Amados, as quatro trombetas nos lembram que o juízo de Deus é real, progressivo e inevitável. Ele atinge a terra, o mar, os rios e até as estrelas. Ele julga o pecado e a apostasia. Mas ao mesmo tempo, esses juízos servem de prelúdio para a grande vitória de Cristo.

Como Paulo diz em Romanos 11, a queda de Israel abriu caminho para a salvação das nações. Os juízos não são o fim da história; eles pavimentam o caminho para que “o reino do mundo se torne do nosso Senhor e do Seu Cristo” (Ap 11:15).

Portanto, diante desse texto:

  • Seja consolado: o juízo nunca destruirá a Igreja, pois Cristo é sua Rocha eterna.
  • Seja advertido: a apostasia conduz inevitavelmente à amargura e à escuridão.
  • Seja encorajado: Deus ouve as orações de Seu povo e vindica os santos.

Que possamos viver com reverência, sob a luz da Palavra, aguardando com esperança o dia em que todos os juízos cessarão, e Cristo reinará plenamente sobre todas as coisas. Amém.

 

Êxodo 14.15–31: O Deus que abre o impossível, destrói os inimigos e firma o Seu povo em fé

 

IGREJA PRESBITERIANA EM RIACHÃO DO JACUÍPE-BA

Fidelidade na Doutrina, Simplicidade no Culto e Pureza na vida

Shabbath cristão, 14 de setembro de 2025.

Culto Matinal

 

Texto: Êxodo 14.15–31

Pregador: Rev. João Ricardo Ferreira de França

Tema: O Deus que abre o impossível, destrói os inimigos e firma o Seu povo em fé

Proposição: O Senhor manifesta Sua glória salvando o Seu povo, julgando os ímpios e despertando a fé reverente no coração dos que foram libertos.

I. INTRODUÇÃO

Israel está encurralado: o mar à frente, os exércitos de Faraó atrás, montanhas aos lados, e medo em seus corações. Neste cenário impossível, Deus manifesta o poder da Sua mão. O mar se abre para a vida do Seu povo e se fecha para a morte de seus inimigos. O capítulo 14 é o evangelho em figura: redenção, juízo, fé e temor santo.

II. QUATRO PONTOS PRINCIPAIS

1. O clamor de Moisés e a ordem de Deus (vv.15–18)

  • מַה־תִּצְעַק אֵלָי (mah-tits‘aq ’elay) — “Por que clamas a mim?”
  • Deus já havia prometido, e agora ordena: é hora de marchar pela fé.
  • A glória de Deus se manifestaria não apenas na salvação de Israel, mas também no juízo contra Faraó (וְאִכָּבְדָה בְּפַרְעֹה – “e serei glorificado em Faraó”).

2. O mar aberto e o povo protegido (vv.19–22)

  • O Anjo do Senhor (מַלְאַךְ הָאֱלֹהִים) e a coluna de nuvem se colocam entre os egípcios e Israel.
  • Para os ímpios: trevas; para o povo: luz.
  • Um רוּחַ קָדִים עַזָּה (ruach qadim ‘azzah – vento oriental forte) abre o mar, e Israel passa a pé enxuto (לֶחָרָבָה).
  • Tipologia: passagem da morte para a vida, sombra do batismo cristão (1Co 10.1–2).

3. O juízo contra os egípcios (vv.23–28)

  • Deus הָמַם (hamam, confundiu) os inimigos e fez cair suas rodas.
  • Quando Moisés estende novamente sua mão, o mar retorna (שׁוּב הַמַּיִם – “voltam as águas”), cobrindo o exército de Faraó.
  • Nenhum deles escapou (v.28).
  • O mesmo caminho que salva Israel é o caminho da destruição do Egito.

4. A salvação consumada e a fé confirmada (vv.29–31)

  • וַיּוֹשַׁע יְהוָה בַּיּוֹם הַהוּא (wayyosha‘ YHWH bayyom hahu – “E o Senhor salvou naquele dia”).
  • O povo vê a grande mão do Senhor.
  • Resposta dupla: temor reverente (וַיִּירְאוּ הָעָם) e fé viva (וַיַּאֲמִינוּ).
  • A verdadeira salvação produz reverência e confiança.

III. DOUTRINAS

1.     Deus abre caminhos impossíveis para salvar o Seu povo.

2.   O mesmo ato divino que salva os crentes destrói os ímpios.

3.   O juízo de Deus é certo e completo.

4.   A verdadeira salvação gera temor santo e fé inabalável.

IV. USOS

Uso I — De instrução

1.     A salvação é obra exclusiva do Senhor (וַיּוֹשַׁע יְהוָה).

2.   O juízo de Deus é tão seguro quanto Sua promessa: nenhum inimigo escapou.

3.   A verdadeira fé nasce da experiência com o poder redentor de Deus.

Uso II — De reprovação

1.     Reprova-se a incredulidade de Israel, que murmurou mesmo tendo promessas.

2.   Reprova-se a ousadia dos ímpios: entraram onde apenas Israel podia passar.

3.   Reprova-se a loucura de lutar contra Deus: rodas quebradas, forças falhas, mas ainda resistem.

Uso III — De consolação

1.     Deus não apenas abre caminho, mas fecha atrás de nós o mar: não há retorno ao Egito.

2.   Nenhum inimigo escapa da mão do Senhor: todos perecem no tempo de Deus.

3.   O fruto da salvação é temor e fé: Deus nos dá não só livramento, mas também coração transformado.

Uso IV — De exortação

1.     Aos crentes:

o    Caminhai em fé pelo caminho que o Senhor abriu.

o    Vivei em temor santo, em reverência filial.

o    Perseverai na fé: o Deus que vos salvou continuará a sustentar-vos.

2.   Aos descrentes:

o    O mesmo caminho que salva o povo de Deus condena os Seus inimigos.

o    O mar foi libertação para Israel, destruição para o Egito.

o    Cristo é vida para os que creem, juízo para os que rejeitam.

V. CONCLUSÃO

Amados, o capítulo 14 de Êxodo é um evangelho em figura:

  • O mar é a morte;
  • Faraó é Satanás;
  • Israel é a Igreja;
  • Moisés é o Mediador que, com mão estendida, abre o caminho.

Nós atravessamos em Cristo, e o caminho que para nós é vida é destruição para os ímpios. Portanto, temamos e creiamos: temamos ao Deus que julga, creiamos no Deus que salva, e sigamos firmes até a Canaã eterna.

 

terça-feira, 2 de junho de 2020

ROMANOS 9- UM ESTUDO DA SOBERANIA DE DEUS NA SALVAÇÃO DOS PECADORES


*ROMANOS 9- UM ESTUDO DA SOBERANIA DE DEUS NA SALVAÇÃO DOS PECADORES*.
Rev. João França.
 *EXPOSIÇÃO*:
Após o apóstolo Paulo discorrer sobre a segurança dos crentes [ Romanos 8.31-39], agora ele procura mostrar como se dá a salvação dos pecadores e da condenação de outros pecadores; alguns estudiosos sugerem que o apóstolo aqui cessa com sua abordagem doutrinária. Mas, isto se revela um grande engano. As seções doutrinárias se estendem  até o capitulo 11.
*I - PAULO E SEUS PATRÍCIOS (v.1-5)*:
|| Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: 2 tenho grande tristeza e incessante dor no coração; 3 porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.  4 São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; 5 deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!||
O apóstolo no início deste capítulo  Paulo revela grande interesse pelo seus compatriotas. Alguns sugerem que Paulo esta fazendo um juramento. Entretanto, ao usar expressão grega: "Ἀλήθειαν λέγω ἐν Χριστῷ" aponta para sua União com Cristo. Ele assevera que esta relação com Cristo é verdadeira, ele enfatiza esta verdade ao usar  a frase negativa "não minto". É no viver na esfera do Espirito que ele consegue testemunhar dessa relação mística com Cristo. (V.1) No verso 2 - o apóstolo revela SUA tristeza no coração, pois, se pudesse deixaria sua União com Cristo para com isso salvar alguns dos seus! (V.3)
Nos versos 4-5 o apóstolo oferece as razões porque dissera o que disse no verso anterior. Ele encara a pergunta: Por que você está falando assim a respeito de seus Patrícios? Paulo não titubeia em declarar que a revelação divina a este povo foi singular, ele o faz através das instituições veterotestamentárias:
O Culto
A lei
As Alianças
Promessas ( V.4). Paulo relembra a Igreja em Roma que os patriarcas [Abrão, Isaque e Jacó] bem como o Redentor da Igreja. Vieram desse povo! Paulo lamenta porque eles não abriram os olhos e, se mantiveram na incredulidade.
*II - HOUVE FALHA NAS PROMESSAS DE DEUS?[V.6-13]*
|| 6 E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas;  7 nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. 8 Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa. 9 Porque a palavra da promessa é esta: Por esse tempo, virei, e Sara terá um filho.10 E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. 11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama),12 já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. 13 Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.||

O apóstolo agora procura estabelecer o fato de que as promessas divinas quanto ao seu povo não falhou! Como assim?
Α - não é por nascer na nação recomenda-os a Deus: O orgulho do Judeu era ser judeu acreditavam que poderiam ser aceitos por Deus por simplesmente serem da nação (V. 6)
Β - A prioridade da Promessa (v. 7-9): Paulo argumenta só são contados como filhos os que são da promessa e para isso Paulo usa o exemplo de Isaque se contra pondo à Ismael. O apóstolo recorre ao AT em Genesis 21.12.
*III - A PRIORIDADE DA ELEIÇÃO DA GRAÇA[V. 10-13]*.
10 E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. 11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama),12 já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. 13 Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.||

Ele agora recorre novamente ao Antigo Testamento para ilustrar que a escolha e a promessa divina não depende de participação humana. Consideremos o verso 11. O que vemos aqui?
1. A escolha não se deu por boas ações "não tinham praticado o bem ou o mal".
2. A reprovação também não teve por base más ações.
3. A soberania da escolha é de Deus
Agora precisamos considerar o verso 13. Alguns tem sugerido que a palavra ódio é muito pesada que na verdade significa "Amar menos". O termo grego "ἐμίσησα" significado é detestar. Odiar. O verbo amar no grego é ἠγάπησα aponta para um amor relacional, afetivo de conhecimento pessoal.
*IV - HÁ INJUSTIÇA?[V.14-18]*
|| 14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! 15 Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. 16 Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. 17 Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra.18 Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.||
Paulo vislumbrou a objeção afirmando:
A. DEUS NÃO FAZ INJUSTIÇA (V. 14)
B. DEUS SALVA QUEM QUER (V. 15)
C. NÃO HÁ LIVRE-ÁRBITRO.(V.16-18).


*V - DEUS É SOBERANO*
19 Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? 20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?21 Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 22 Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, 23 a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, 24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? 25 Assim como também diz em Oséias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada;26 e no lugar em que se lhes disse: Vós não sois meu povo, ali mesmo serão chamados filhos do Deus vivo. 27 Mas, relativamente a Israel, dele clama Isaías: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.28 Porque o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve; 29 como Isaías já disse: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, ter-nos-íamos tornado como Sodoma e semelhantes a Gomorra. 30 Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; 31 e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. 32 Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, 33 como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido.

Paulo se antecipa. A um argumento se Deus salva quem quer quem pode resistir à sua vontade?
Paulo lembra que todo gênero humano está debaixo da soberania de Deus e que ele como oleiro faz uns para sua glória na salvação e outros para a condenação, nos quais também é glorificado. Paulo revela que Deus chama os gentios com base em sua soberania, e termina apresentando que os Gentios conseguiram a redenção por causa da soberania. É a responsabilidade da nação é apresentada nos versos 30-33.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

SOBERANIA DE DEUS NA SUA LEI

A SOBERANIA DE DEUS
REVELADA NA LEI
Rev. João Ricardo Ferreira de França

Texto em Português: “ Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu
Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.(Êxodo 20.1-2).
Texto Hebraico:


s ` rmoale hL,aeh(; ~yrb;)D.h;-lK);: tae ~yhiOla/ rBed;y.w;   a

TyBemi ~yir;c.mi #r,a,me ^yTacewOh( rv,a;> ^y=hOl,

a/ hw);:hy. YkinOa();: 2
`~y)=dib);;:,[;.

Introdução:
A Lei de Deus tem sido totalmente rejeitada em nossa sociedade atual, e o triste
disso tudo é o fato de que tem sido rejeitada pela igreja atual também. A  Influência dispensacionalista em nossos dias é muito grande. Muitos presbiterianos dizem que não são dispensacionalistas, mas todas as vezes que negligenciamos os mandamentos de Deus, por menor que nos pareça, ou mesmo, diminuímos o valor de qualquer destes mandamentos da Lei de Deus, já nos tornamos dispensacionalistas pticos.
Uma   forma    notória    de   dispensacionalismo    é   contemplada    quando   lemos comentários  bíblicos  sobre  os  Dez  Mandamentos  e  não  encontramos  uma  abordagem detalhada do prefácio ao Decálogo.
É aqui no prefácio à Lei de Deus que temos uma profunda visão da divindade que servimos; é precisamente aqui onde aprendemos mais sobre Deus do que imaginamos, pois, neste texto as verdade a respeito de Deus são colocadas de forma singular diante de nossos olhos, e assim, somos tomados por um senso de grande gratidão para com o Deus que a Bíblia de fato revela. A gratidão exercida em nossos corações não é por aquilo que Deus nos pode dar, mas pelo quê Ele é. Algumas verdades podem ser  extraídas deste texto exegeticamente, recebemos algumas informações fundamentais ao nosso cristianismo:


I – A ORIGEM E A SUFICIÊNCIA DA LEI DE DEUS.

Alguns  intérpretes  da  Bíblia  possuem  o  entendimento  que  a  Lei  deve  ser considerada como tendo a sua origem em Moisés. É verdade que a Lei pode ser considerada assim, mas não significa que é fruto dele, mas que ele registrou a vontade de Deus, e apenas neste sentido a lei pode ser atribuída a Moisés.

Por que falamos iss? É porque os que dizem ser  a lei fruto de  Moisés tendem a rejeita-la por  sustentarem um conceito dispensacional das Escrituras; o texto que temos diante de nos indica a origem da Lei: então, falou Deus...” no texto hebraico nós temos: ~yhiOla/ rBed;y.w; (Vaydaber Elohim). E a idéia transmitida é a seguinte: E verbalizou, proferiu, ditou como regra Deus....” O substantivo  ~yhiOla/ - Elohim indica que a Lei tem um autor que é o próprio DEUS.
Então, as dez Palavras do Sinai não sã frutos da criação legal de Moisés. Isso implica em algo fundamental ao cristianismo que tem sido a noção de que a Lei não é de origem humana, mas divina. Não é da terra, mas é celestial.O texto pressupõe o fato de que a Lei é revelacional, pois ela nasce em Deus.
Sendo uma revelação não é algo opcional. O homem não tem o direito de dizer qual mandament deve  guardar  ou  não.  Devemos  nos  lembrar  que  para  o  cristianismo tradicional  a revelação infavel é a essência do Teísmo. E o negar a revelão é o mesmo que negar a existência de Deus.

O segundo aspecto que devemos levar em consideração é que este prefácio do
Decálogo nos informa a suficiência da revelação de Deus ao homem.
O texto nos diz que Deus não falou algumas palavras, mas o texto nos informa que ele falou todas estas palavras. No texto temos a expressão ~yrb;)D.h;-lK);: tae( Eth kol haddevarim).
No texto hebraico a palavra  lK);: aponta par a idéia de completude, este termo está no construto  que  indica uma  relação  de posse;  em  outras  palavras, todaas  palavras pentencem a Deus, e são suficientes. O termo ~yrb;)D.h(haddevarim) regras, palavras são suficientes para o homem viver no mundo, são suficientes para dar norte ao povo do pacto, eles não precisam ir em busca de novas revelações, de novas regras para viverem a vida, eles não precisam de novas revelões para saber qual é a vontade de Deus para as suas relões com o divino e com o seu semelhante, pois, a Lei sumariza e revela tudo isso de forma clara.
O êth tae é colocado no inicio da sentença para indicar a diretividade, pois, ele serve para indicar o objeto direto da sentença. Os homens precisam apenas encontrarem-se com Deus na Lei para conhecerem a vontade dEle para as suas vidas. A única regra de vida está sendo apresentada ao povo da aliança O Decálogo.
Isto implica no fato de que não devemos aumentar nenhum til ou iod à Lei pois ela é suficiente e pela  mesma razão não podemos diminuir nada da Lei. Ela é suficiente para cada um de nós.
A Lei não pode ser substituída pela subjetividade protica vazia do conteúdo da Lei de Deus; um profeta que profetizasse algo que se cumprisse, mas que introduzia erros no povo da aliança, não levando em consideração o Decálogo, tal profeta deveria ser morto


diante do povo da aliança este é o teste de Deuteromio 18, a pedra de Toque é Lei de
Deus.
Mas porque iss? Porque Deus falou tudo o que era suficiente para o seu povo e expressou isso em sua Lei. Diante disso o que podemos aprender nos Dez Mandamento?

II – A LEI REVELA UM DEUS PESSOAL
O teísmo apresenta um Deus pessoal. Assim também o faz o Cristianismo. No prefácio aos dez mandamentos aprendemos sobre a pessoalidade de Deus nas palavras Eu sou,  no  texto  hebraico  nós  temos  um  pronome  independente  na  primeira  pessoa  do singular YkinOa();:”(Anoki), este pronome é sempre usado para descrever a existência pessoal de alguém , é usado aqui para enfatizar a pessoalidade o soberano da terra.
Indica que Deus não é uma força ativa, uma energia elétrica ou coisa do tipo, mas a designação pessoal diz que ele mantém um relacionamento com o seu povo. Devemos nos lembrar  que  os  pronome independentes  servem  como  substitutos  para  uma  um substantivo antecedente ou impcito. Deus está sendo o centro do texto logo ele deve ser visto como pessoa Deus não é uma grande energia. Aqui o  panteísmo é rejeitado e o teísmo bíblico é confirmado. Deus é pessoa no sentido mais pleno da palavra.
Outra verdade que podemos aprender aqui, é o fato de que não é apenas o teísmo que  tem  sido  confirmado  aqui,  mas  o  próprio  monoteísmo  que  é  o  fundamento  da verdadeira  religião.  S exist um   Deus  El deve  se pessoal,  pois,   os   homens inevitavelmente io buscar refúgio nEle. Os homens orarão a Ele na mais solene convicção que serão ouvidos em suas preces, e isto, pode ser possível se Deus for uma pessoa.

O texto que temos diante de nós informa que o Deus que é pessoal é chamado de SENHOR no texto hebraico temos hw);:hy (yahweh). Esse nome revela não o próprio nome de Deus, mas aponta para o nome pactual no qual Deus tem se revelado através da história da redenção. Deus não é isolacionista  ele chama o homem a ter uma relação pactual consigo mesmo.
Mas algo precisa ser dito sobre esse nome Yahweh não significa somente uma relação pactual,  mas indica também a existência eternidade desse Deus e aponta para a realidade de que Deus sempre existiu.
O nome  hw);:hy (yahweh) é derivado a raiz hyh no hebraico que pode significar uma existência intemporal conforme Êxodo 3.13-14. O texto claramente indica que Deus é eterno, mas indica que ele é suficiente como Deus que é. A expressão Eu sou o SENHOR aponta para o fato de que o SENHOR E O QUE ENTRA EM ALIANÇA COM O POVO.

III -  A LEI NOS MOSTRA O NOSSO OBJETO DE CULTO

O nosso texto nos informa que antes de consierarmos a lei precisamos entender que a pessoa que nos ordena estas dez palavras é digna de nosso culto e adoração. O texto diz: Eu sou o SENHOR teu  Deus...Chamo  a  atenção para  a  expressão Teu  Deus”  no hebraictemos     ^y=h,Ola/(elohika),    o         termo   é          um                   junção      de                            um substantivo ~yhiOla?”(Elohim) mais um sufixo^”(ka) que tem a função de indicar a posse, mas pode também apontar para a questão da autoridade. Aqui o termo  pode ser entendido como colocando Deus como o objeto de todas as nossas afeições, ou seja, todo o  sentimento religioso deve ser movido para ele somente ele é o teu Deus.
Deus é ensinado nos dez mandamentos como sendo o único digno de louvor e da adoração  aqui  se anula os ídolos e toda   forma de objeto de culto que não seja Deus somente. Aqui Deus é contemplado como sendo suficiente como objeto de culto e o centro de nossas afeições. O texto nos diz que  devemos ter confiança nEle somente, e sermos submissos a Ele somente. Não devemos olhar para outro  objeto de  culto, e por isso, devemos nos submeter à sua lei.


IV – A LEI NOS ENSINA QUE DEUS É SALVADOR DO SEU POVO:
O prefácio dos dez mandamentos nos mostra que o Deus que declara a  Lei  é Redentor”, penso que falar de Deus como sendo um resgatador é apropriado. Note como Moisés coloca-nos isso teu Deus, que te tirei da terra do Egito da casa da servidão.
A expressão hebraica    ^yTacewOh( rv,a;> (asher hotser’thika) que significa te tirei no originatem  o sentido de te  fazer sair, também pode ser  entendido como “colocar a mão para tirar”, Deus manifesta a sua redenção ao libertar o povo do estado de escravidão. Aqui somos informados que o autor  das dez palavras não é um tirano que impõe a Lei sobre um povo desconhecido, mas mostrar que é um Deus amoroso, liberatador de um povo indigno que não merecia a revelação desse Deus que se nos descortina  a Escritura.
Mas aqui não é somente um resgatador que se nos apresenta aos olhos, mas que Ele se envolve na história dos homens. Ele é o Senhor da história. A história é a manifestação dos atos redentivos de Deus. E o fato histórico narrado neste texto  é a libertação do povo hebreu do cativeiro egípcio.
Isto indica que Deus se envolve na criação, age  na história para salvar o seu povo. Os dez mandamentos são um resumo da verdade suprema de que Deus está no controle de tudo; da história do povo  da aliança como da vida religiosa e moral deste mesmo povo. Deus governa as nossas vidas, o nosso culto até nosso comportamento na sociedade. Aqui se desprende as seguintes verdades:

    A soberania de Deus na salvação:  Deus como salvador manifesta o seu braço redentor ao tirar o povo da casa da servidão. Aqui o prefácio nos diz que Deus a Lei ao povo  regenerado, ou seja, foraresgatados parreceberem a  Lei  de  Deus como norma de  vida.  Istindica  que os  dez mandamentos são dirigidos especificamente à Igreja.
    Que  Deus é Senhor  da  História: O deísmo é condenado aqui porque o prefácio nos diz que Deus age no mundo para libertar o seu povo que estava oprimido.
    Que Deus é suficiente em si mesmo: O prefácio dos dez mandamentos nos ensina que Deus é suficiente, pois, é o único que pode dar sentido à nossa existência (Atos 17.24,28).
    Que Deus é o único que pode ser adorado: Deus como se revela a nós pecadores deve  ser visto como nosso único objeto de culto. E precisamos desejar adora-lo como prescreveu em sua Lei. Lc.1.74-75.

Conclusão:
O prefácio aos dez mandamentos nos aponta para que cada sentença que é mencionada  em  cada  mandamento  está  centrada  em  Deus  e  não  no  homem.  Cada mandamento deve ser  obedecido  e  guardado porque  Deus  tem  o  direito de  criação  e redenção.
De criação porque como Deus único     e soberano que é , trouxe esse mundo à existência  por isso, cada pessoa individualmente, deveria submeter-se à sua lei eterna; de redenção porque sempre se revelou redentor do seu povo.


Apocalipse 8.6-13: As Trombetas do Juízo de Deus

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